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O Sinal " WOW ! " - Enigmas e Mistérios. F

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O Sinal " WOW ! "



Dos muitos "talvez" que a SETI se deparou ao longo da sua história de quatro décadas, nenhum é mais conhecido do que o descoberto em Agosto de 1977, em Columbus, Ohio. O famoso sinal Wow foi encontrado durante uma longa pesquisa do céu conduzida pelo rádio-telescópio "Big Ear" da Universidade Estatal de Ohio.
A nomenclatura incomum do sinal Wow é devida tanto á surpresa da descoberta, como á sua extrema potência (60 Janskys num canal de 10 KHz, o que representa 50 vezes mais energia recebida do que um sinal que seria considerado extraordinário para o Projecto Phoenix dos dias de hoje).
Mas será a notoriedade deste sinal Wow meramente um triunfo do marketing sobre a matéria? Poderá este momento de um grito cósmico ter sido provocado por ETs, ou terá sido uma interferencia terrestre que não se consegui identificar? Há uma decada, Robert Gray, um investigador SETI, independente, de longa data, de Chicago tem tentado descobrir.
Gray, assim como muitos outros, sentiu-se atraído por uma caracteristica intrigante do sinal Wow: a maneira como este cresceu e diminui de intensidade ao longo dos 72 segundos. Porque é que isto é interessante? Unicamente por isto: a pesquisa do céu pela Universidade de Ohio manteve o telescópio fixo, deixando à rotação diária da terra a função de pesquisar os céus através do feixe estreito do telescópio. O "feixe", claro, seria o alongado caminho do céu para o qual o telescópio seria sensivel - a direcção da qual o telescópio poderia receber sinais cósmicos. A sensibilidade era maior no centro do feixe, diminuindo para cada um dos lados. Assim, sempre que uma fonte de radio celestial passava, aumentava em aparência quando a rotação da Terra trazia essa fonte para o centro do feixe, chegava a um pico no centro, e depois diminuia gradualmente até desaparecer. Dado o tamanho do feixe deste telescópio a subida e diminuição do feixe deveria demorar 72 segundos. E para o sinal Wow, demorou.
Agora contraste isto com aquilo que seria de esperar se o telecópio tivesse sido meramente inundado por um sinal interferente terrestre. A intensidade iria rapidamente ter valor máximo e passado algum tempo apenas se desligaria. Mesmo que a interferencia fosse devido a um satélite terrestre, uma fonte que iria subir e descer gradualmente de intensidade, não seria de esperar que durasse precisamente 72 segundos.
Por estas razões, o sinal Wow é um forte e credível sinal candidato SETI.
Por outro lado, há alguns aspectos deste seductor sinal que diminuem a sua credibilidade. O Telescópio de Ohio State na realidade usa dois feixes, situados lado a lado. Qualquer fonte cósmica seria portanto vista primeiro num feixe (por 72 segundos) e depois - aproximadamente 3 minutos mais tarde - no outro (também durante 72 segundos). O sinal Wow falhou este simples teste. Aparece num feixe cheio de potência, mas nada se vê no outro feixe: suspeito.
Mas tal como Gray outros se aperceberam que esta particularidade de um só feixe ter recebido o sinal pode ter sido causada porque a transmissão alienigena pode ter sido interrompida durante os tres minutos que separam os feixes. Se os hipotéticos alienigenas desligaram o seu transmissor permanentemente, então não há possibilidade de voltar a ouvir o sinal Wow. Tal como uma simples visão do monstro do lago Ness, nós nunca poderemos provar o que aquele sinal foi. Mas se o sinal é periódico - se, por exemplo, os alienigenas estão a usar um feixe rotativo de rádio que varre a via láctea a cada cinco minutos ou a cada cinco horas - podemos ter esperança de encontrá-lo novamente se o procurarmos.
Robert Gray procurou novamente. E novamente. Na última década, Gray e os seus colegas usaram o sistema META SETI de Harvard e o Very Large Array (VLA) para procurar um reaparecimento do sinal Wow. A experiência no VLA, em particular, foi um esforço impressionante, já que era mais sensivel que o equipamento original de Ohio State.Contudo, nenhuma das tentativas foi bem sucedida.
Gray compreendeu então que poderá ter sido vitima de falta de paciencia. A mais longa das suas reobservações durou 22 minutos. E se o feixe alienigena enviasse um sinal com uma frequencia menor? E se o seu transmissor estivesse fixo num planeta, emitindo um sinal a cada 20 ou 30 horas?
Em 20 de Outubro de 2002, no The Astrophysical Journal, Gray e Simon Ellingsen, da Australia’s University of Tasmania, reportou novas observações (parcialmente suportadas pelo SETI Institute) com o objectivo de testar esta ideia. A sua nova tentativa foi feita no rádio-telescópio de 26 metros em hobart, Tasmania. Este instrumento do hemisfério sul podia continuamente ao longo de um dia seguir o caminho no céu (na constelação de sagitário) onde o "Big Ear" estava a apontar quando detectou o sinal Wow. Eles fizeram seis observações de 14 horas, e embora este telescópio fosse muito menor que o de Ohio, eles tinham sensibilidade suficiente para encontrar sinais com apenas 5% da potência do sinal Wow. Eles cubriram também, cinco vezes o raio de busca do "Big Ear".
Começar novamente? Nop. Segundo o seu artigo, "no signals resembling the Ohio State Wow were detected…"(nenhum sinal parecido com Wow de Ohio State foi detectado). Obviamente, se o ciclo de repetição do sinal é superior a 14 horas, mesmo a cuidadosa experiencia levada a cabo por eles poderia ter falhado a recepção do sinal. Mas como Gray e Ellingsen apontam, se o sinal fosse assim tão infrequente, então a hipótese de o ter encontrado na primeira experiencia era muito vaga.
Foi então assim o sinal Wow a nossa primeira detecção de extraterrestres? Poderá ter sido, mas nenhum cientista o afirmaria. Experiencias cientificas são inerentemente, e correctamente, cépticas. Esta é a única forma de evitar o erro. Portanto, a não ser que o som cósmico encontrado em Ohio, volte a ser encontrado, o sinal Wow vai continuar a ser QUE SINAL?
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